sábado, 10 de novembro de 2018



Tenho em mim tristezas que não partilho
nem dou em trazê-las num choro, num olhar sombrio.
Algumas são apenas mágoas
e nem por isso menos doloridas...
Silenciosas, umas e outras,
são segredos que se fizeram em mim, algures.
Dá-se que aparecem, sobretudo,
quase sempre,
por via de atitudes que não sei entender porque não uso.
Aí, recuo no meu eu e dou com elas:
as minhas tristezas e mágoas antigas,
elas e só elas me consolam,
e lá levam, para o local onde se acarinham,
esse local algures,
mais uma tristeza que acaba de ser minha...

sábado, 1 de abril de 2017

tarde de fim de Março

desceram da serra de propósito
vieram vê-las
depois, ficamos naquele vício bom, desenhando-nos


domingo, 26 de março de 2017

USK Portimão

os USK de novo, agora por Portimão
e era domingo de Ramos e chovia e a igreja matriz acolheu-nos 
e desenhar, seria desenhar os odores e os ritmos e as ladainhas
tentamos, ao menos, o ambiente e as gentes que o faziam
e, na rua, essa casa que apelava, vaidosa de outros olhares antigos: refaz-me nos teus riscos, mira-me
e eu tentei deixá-la satisfeita







USK Alferce Monchique

enquanto o medronho destila, ri-se, canta-se, conversa-se
e bebe-se a acompanhar as febras grelhadas do porco morto pela madrugada
desenhar, aqui, só mesmo as conversase e os ruidos
e a paisagem soberba lá do pico da serra
mas as gentes, essas, é uma tentação
e um apelo e um gosto trazer-lhes, ao menos as expressões, para o papel





sábado, 4 de fevereiro de 2017

M de Mulher e de aMor e de Mãe


Sobre o que aqui mostro
(a tentar dizer o porquê e de onde)



Intitulo esta mostra de trabalhos como
êMe de Mulher e de aMor e de Mãe
que é também êMe de Maria e de Margarida
ela que tinha o gosto do rabisco,
ela que um dia me disse: repete
e o bule acabou perfeito
redondo e simétrico como as nádegas destas
bonecas avantajadas
gordas e distorcidas como o desenho daquela peça de barro
o meu bule da quarta classe
a minha mãe insistindo: faz outro
bonecas de pés disformes
se têm sapatos, são sempre cor de sangue
e os dedos podem ser, tantas vezes, mal contados...
ela dizia: faz outro.
Ela que tinha o gosto,
tinha, também, a paciência rara dos modelos...
Aqui, neste espaço onde um dia entrei por sua mão,
deixo o que fui capaz, depois do bule
e com estes riscos, simples, lhe agradeço.


Mais no OLHARES FELINOS e no REPENSANDO

segunda-feira, 16 de maio de 2016

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